Tecnologia em nome da sustentabilidade

By 1 de junho de 2017Sem categoria

Com conhecimento acadêmico aliado à prática de mercado, Oxi Ambiental usa a tecnologia a favor de soluções para problemas ambientais, como tratamento de solo, água e efluentes

O uso consciente dos recursos ambientais faz com que cada vez mais pessoas e instituições busquem soluções sustentáveis para seus negócios. Um exemplo disso é a Oxi Ambiental, empresa que conta com recursos do FIP INSEED FIMA – Fundo de Inovação em Meio Ambiente, criado pelo BNDES e gerido pela INSEED Investimentos. Neste semestre, o fundo investiu um aporte de capital superior a R$ 3 milhões na empresa, que oferece soluções inovadoras para descontaminação de solo, água e efluentes por meio de processos químicos modernos.

Segundo João Pirola, gerente da INSEED Investimentos, boa parte do aporte será utilizado para fortalecer o time comercial e posicioná-la como “toughtleader”, ou seja, referência no setor.

“A Oxi Ambiental é líder em conhecimento, já que seu diretor, Juliano de Almeida Andrade, possui grande especialização em processos químicos de oxidação e redução avançada, base da tecnologia da empresa. Ele é um dos grandes acadêmicos brasileiros neste assunto, com mestrado e, agora, em fase de finalização de Doutorado em Química Ambiental. Em consequência, temos uma empresa extremamente inovadora que alia conhecimento acadêmico com prática de mercado. Solucionando de fato os problemas de contaminação em um segmento em que os prestadores de serviço não dominam profundamente as técnicas. E, simplesmente, compram produtos do exterior e aplicam sem conhecê-los de fato”.

Para João, os recursos, além de turbinar a saúde financeira da empresa, ampliam o impacto favorável das inovações em meio ambiente para toda a sociedade. A INSEED tem ainda como meta a conquista de clientes industriais de grande porte, especialmente indústrias químicas e petroquímicas. “Neste ano, a Oxi Ambiental deve faturar cerca de R$ 3 milhões, mas a perspectiva de crescimento futura com a entrada do aporte é que em cinco anos ela chegue ao menos a R$ 15 milhões.”

Atuando em todo o território nacional, a Oxi Ambiental elabora de forma personalizada estudos e projetos de todas as modalidades que compõem os processos de consultoria, engenharia e planejamento ambiental com foco no gerenciamento de áreas contaminadas. De forma prática, o que a empresa oferece são serviços de remediação (descontaminação) de solos e água subterrânea para construção civil, indústrias e postos de combustível, utilizando tecnologias químicas combinadas oxidativas e redutivas que permitem eliminar uma gama ampla de contaminantes no solo e na água, com destaque para metais pesados, biocidas (agrotóxicos), fármacos e fenóis, que são difíceis de serem tratados com processos tradicionais. “Hoje é comum essas contaminações não serem completamente resolvidas nos métodos tradicionais, fazendo com que esses processos perdurem por anos, sem resolução definitiva”, explica Juliano Andrade, sócio-fundador da Oxi Ambiental.

Segundo ele, o diferencial da empresa é a estratégia em campo e no laboratório. “Através de avaliações criteriosas e equipamentos modernos, identificamos os principais pontos de interesse e concentramos energia para um diagnóstico preciso que permite desenvolver projetos robustos com excelente relação custo/benefício”.

A companhia tem cases de sucesso que comprovam a completa descontaminação da área em menos de um ano utilizando tecnologias químicas inovadoras, enquanto as técnicas convencionais demandam acima de três anos para remediar uma área, além de ter eficiência bastante comprometida na degradação dos contaminantes. “Os custos das tecnologias de remediação ambiental da Oxi são significativamente menores que as técnicas concorrentes, pois além da redução do prazo, traz outros benefícios importantes como a redução e até completa eliminação de gastos consideráveis envolvidos com manutenção de equipamentos, hora técnica de engenheiros, energia elétrica e insumos, como carvão ativado, que são insumos imprescindíveis nas técnicas alternativas, porém completamente desnecessários nas tecnologias aplicadas pela Oxi. Além disso, as tecnologias são comprovadas por muitos especialistas e pesquisadores. São consideradas técnicas emergentes mais rápidas e eficazes existentes no cenário mundial”, destaca Juliano.

Há outros benefícios e vantagens das soluções da empresa, entre elas: a aplicação de tecnologias versáteis e robustas que não emitem ruídos sonoros, não consomem energia e nem produzem gases tóxicos. As cinéticas química (velocidade das reações) são muito elevadas, por isso, o tempo para encerrar o projeto de Remediação tende a ser reduzido e muito eficiente, fazendo com que os custos de operação também sejam minimizados. Não existe a necessidade de contratação de pessoal especializado para ficar operando o sistema e nem presente no site durante todo o tempo de Remediação. Não há a necessidade de bombeamento da água subterrânea, o que exclui a necessidade de quebrar pisos, abrir valas ou até mesmo a instalação de tubulações ou bombas de grande porte.  É de fácil aplicação, não requer equipamentos caros e nem procedimentos especiais. O contaminante não é transferido de fase e sim tratado quimicamente in-situ, por isso não há custos com remoção, transporte e disposição final das matrizes contaminadas, seja solo e/ou água, entre outros”.

O diretor destaca também que a tecnologia da Oxi Ambiental não requer a interrupção, em nenhum momento, das atividades rotineiras de produção ou operação da empresa, e nem a realização de obras civis no terreno.

“Além disso, a tecnologia a ser utilizada não requer a demolição de imóveis (prédios, galpões, etc.) construídos sobre a área contaminada. Com isso, certamente economizará tempo e recursos gastos com demolição, retirada, carregamento e transporte dos entulhos, além da disposição final em aterro. Também não serão utilizadas, em nenhuma etapa do projeto, máquinas pesadas como trator, retroescavadeira, caminhões ou guindastes.”

Outro sócio da Oxi Ambiental, Ricardo Gonçalves complementa explicando o que há de novo no mercado: “Embora a comunidade venha se preocupando há muito tempo com a poluição ambiental, a contaminação de efluentes por produtos químicos não foi reconhecida como um problema sério até o final dos anos 1980. Adicionalmente, poucos anos atrás, a avaliação do grau de pureza de efluentes após o tratamento final era considerado apenas em casos limitados, extremos. Hoje a busca por soluções inovadoras e mais eficazes que os tratamentos convencionais tornou-se um ingrediente essencial em diversos nichos de mercado, incluindo, por exemplo, setores laboratoriais, farmacêuticos, eletrônicos, e em vários outros segmentos”.

Da academia para o mercado

Fundada em 2011 a Oxi Ambiental é fruto de vários anos de estudo do químico Juliano Andrade. Inclusive, algumas das soluções oferecidas pela empresa são resultado de sua tese de mestrado na Unicamp e, agora, em fase de término do doutorado na USP. Juliano conta que a empresa foi criada a partir da percepção de uma grande demanda do mercado. “Trabalhando como consultor técnico ambiental, identifiquei que a maioria das empresas presentes no Brasil tinha a mesma técnica para resolver diferentes problemas. E, assim como na medicina, um único remédio não cura todas doenças. Cada caso é um caso e também percebia isso na área de remediação ambiental.”

Para Juliano, os riscos de ter uma solução única são muito grandes, já que tudo deve ser levado em conta: a composição, a dosagem, o tempo da solução, o tratamento e, claro, o problema. Além disso, o diretor revela que o mercado sempre foi muito carente de mão de obra qualificada. “Criamos a Oxi a partir de estudos na Academia e também ao perceber que mais do que encontrar as soluções, o mercado precisava de uma empresa que entendesse o problema, determinasse o diagnóstico, desenvolvesse a solução e aplicasse a tecnologia adequada, desenvolvendo processos ambientais com margens mais rentáveis.”

O químico já foi diversas vezes premiados por suas pesquisas. Antes mesmo do nascimento da empresa, ele teve seu projeto inovador de remediação ambiental em áreas contaminadas por hidrocarbonetos de petróleo reconhecido pela Unicamp. E logo depois em 2006 e 2007 teve o projeto reconhecido como alternativa competitiva, mais rápida e mais eficaz na degradação química de compostos orgânicos em processos ambientais em comparação às técnicas convencionais aplicadas no mercado, também reconhecido pela universidade. E bem recentemente, em maio de 2016, sua produção foi premiada pela Inova no “Prêmio Inventores” da Unicampo, na categoria “Patente Ambiental Concedida”. Os estudos de Juliano não cessaram: atualmente, ele está desenvolvendo o doutorado na USP na área de engenharia química voltado para hidrometalurgia, uma área da engenharia que estuda reações que ocorrem em sistema aquoso envolvendo metais não-ferrosos aplicados a processos de indústrias químicas e metalúrgicas.

Juliano conseguiu transformar seus estudos e pesquisas em soluções efetivas para o mercado. Para ele, ainda existe uma distância muito grande entre os trabalhos desenvolvidos nas universidades até sua chegada ao mercado, principalmente no Brasil. Para diminuir essa ponte, ele acredita que os estudiosos devem sempre buscar a ajuda de terceiros, de modo que realize um trabalho em equipe, ouvindo opiniões de outras áreas, e, assim, ampliando seu networking. “Ministrei aulas de remedição ambiental durante 10 anos para grandes profissionais do mercado. Conheci outras pessoas e ouvi os principais problemas e dificuldades do setor.”

Para o químico, mais do que desenvolver projetos ambientais, suas pesquisas, o trabalho da Oxi Ambiental tem bases conceituais que geram benefícios para toda a cadeia de valor. “Nosso papel é fazer com que as tecnologias ambientais tenham ciclos produtivos sustentáveis”, ressalta.

Leia a matéria na Integra  http://www.revistaecologico.com.br/materia.php?id=104&secao=1832&mat=2111

 

 

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